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rivalry - Aparência não apaga a importância de Madonna

Criticada por estar quase irreconhecível no 65º Grammy, cantora diz ser vítima de etarismo e misoginia

9 fev2023 - 10h17
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Apesar de Madonna alegar que as fotos clicadas dessa maneira distorcem a fisionomia de qualquer pessoa, o fato é que elas mostraram o que não pôde ser visto na transmissão do Grammy: o rosto da cantora
Apesar de Madonna alegar que as fotos clicadas dessa maneira distorcem a fisionomia de qualquer pessoa, o fato é que elas mostraram o que não pôde ser visto na transmissão do Grammy: o rosto da cantora
Foto: Reprodução/Instagram / Reprodução/Instagram

Assisti à cerimônia de premiação do 65º Grammy no último domingo e confesso que me deu uma ponta de tristeza ao ver Madonna. Na cerimônia, a material girl surgiu no meio da platéia para introduzir a performance de "Unholy", com Sam Smith e Kim Petras. Logo de cara, a estrela perguntou se o público estava preparado para um pouco de controvérsia. No entanto, foi tanta controvérsia, mas por conta de sua aparência, que Madonna resolveu se manifestar

A rainha do pop postou em seu Instagram que novamente estava sendo vítima de etarismo e misoginia num mundo que se recusa a celebrar mulheres que já passaram dos 45 anos. Um mundo que se sente no direito de punir essa mesma mulher quando ela insiste em permanecer aventureira, impetuosa e com vontade própria. Escreveu ainda que espera ter longos anos de comportamento subversivo pela frente, quebrando barreiras e se colocando contra o patriarcado. Bravo, Madonna!

Mas é preciso explicar que toda essa controvérsia teve origem quando começaram a circular fotos da cantora feitas no momento de sua participação no Grammy. Madonna foi clicada com super teleobjetivas, lentes que permitem a fotógrafos focalizar algo que está distante. 

O que se viu nas fotos foi uma fisionomia inchada e paralisada, aparentemente resultado de muitos procedimentos estéticos e cirurgias plásticas. 

Apesar de Madonna alegar que as fotos clicadas dessa maneira distorcem a fisionomia de qualquer pessoa, o fato é que elas mostraram o que não pôde ser visto na transmissão do Grammy: o rosto da cantora.

Foi esquisito acompanhar que na participação da cantora, a camera praticamente ficou travada (como se diz em televisão) num plano geral. Estática, nenhum zoom. Não é comum em um espetáculo grandioso como o Grammy, feito para televisão, manter um plano sem movimento algum por tanto tempo. Achei que poderia ter sido um pedido da própria Madonna.  

Claro que a pessoa que aparece em público tem todo o direito de querer controlar como sua imagem será exibida, de escolher o melhor ângulo, o melhor enquadramento. Mas no caso de Madonna me bateu como uma recusa da estrela de revelar sua real aparência. Para ela, que é chegada em manipular sem pudor suas imagens nas redes, manter a distância era o filtro possível naquela situação. Posso estar totalmente equivocada, mas foi o que senti na hora.   

Com o burburinho criado após a publicação das fotos, Madonna foi criticada, até mesmo por admiradores, na mesma proporção em que foi aplaudida. 

Muita gente concordou que Madonna tem o direito de envelhecer como bem entender. Encher o rosto com preenchedores e injeções de Botox é uma decisão que só diz respeito a ela. Afinal é a eterna rainha do pop, com longos serviços prestados ao empoderamento de mulheres, à comunidade LGBTQIA + e merece respeito. Mulheres não deveriam ser as primeiras a atacá-la, reproduzindo o que sempre foi feito com elas quando ficam mais velhas. Faz sentido. 

Já as críticas apontaram que Madonna se submete à mesma ditadura da beleza vista com reservas quando se trata das irmãs Kardashian. Uma pessoa que sempre foi transgressora, dona do próprio nariz numa indústria controlada por homens, poderia ter uma atitude diferente e não se render à paranoia da juventude a qualquer preço. Aos 64 anos, poderia falar abertamente sobre envelhecer, coisa que não faz. Pelo contrário. 

Tem uma entrevista famosa que Madonna concedeu ao fazer 60 anos, quando foi capa da revista de "The New York Times", em que ela desconversou toda vez que a repórter do jornal tentou abordar o tema. Agindo desse jeito, muitos fãs apontam que a cantora é a primeira a reforçar o etarismo que critica agora. É a que menos aceita que mulheres com mais de 45 anos possam envelhecer tranquilamente, sem se submeter a todo tipo de experimento anti-idade. Faz todo sentido. 

A revista estadunidense The Cut, que aborda temas relacionados à cultura, estilo e poder, publicou recentemente uma reportagem sobre os estragos que podem provocar os tais preenchedores colocados para aumentar lábios e deixar bochechas mais proeminentes, ao estilo de Kylie Jenner. 

Antes considerados inofensivos, esses produtos agora têm sua função de elixir da juventude questionada. Em vez de ser absorvido pelo organismo em menos de um ano, como sempre foi dito, os preenchedores podem durar muito mais tempo e circular por outros lugares do rosto, criando protuberâncias indesejadas. Para dissolvê-las, não só gasta-se dinheiro como é um processo doloroso, como relatam as mulheres entrevistadas que transformaram suas aparências em busca de um ideal de beleza quase inatingível. 

Não acho justo com as mulheres naturalizar essa procura insana pela aparência jovem sem limites. Também não acho que Madonna seja tão vítima de um mundo hostil a ela.  Ela acabou de ser capa de três edições diferentes da revista Vanity Fair (espanhola, francesa e italiana). Para celebrar os 40 anos de carreira, a cantora se prepara em grande estilo para uma nova turnê, a 12ª de sua carreira, que passará por 40 cidades dos Estados Unidos. Parece haver uma disposição muito maior em celebrá-la do que em puni-la. Sua trajetória e influência na música sempre serão gigantes.

Ainda bem que estamos atualmente muito mais atentas em combater o etarismo como nunca estivemos. Acho o máximo ver que outras cantoras que, como Madonna, abriram caminhos, seja no pop, rock, folk, R&B estejam ainda na ativa. Debbie Harry, um símbolo sexual surgido antes de Madonna e que fez sucesso com Blondie, ainda segue com uma carreira na música, aos 74 anos. Cabelo grisalho, pernas de fora, é uma mulher linda. Outras estrelas do rock como Joan Jett, 64 anos, Patti Smith, 76 anos e Kim Gordon, 69 anos, estão na estrada fazendo shows super concorridos. Tina Turner, uma das maiores estrelas de todos os tempos, se aposentou somente aos 81 anos. 

Sem falar que na mesma noite da polêmica aparição de Madonna, o prêmio de "Melhor Canção do Ano" foi entregue a Bonnie Raitt. Aos 73 anos, a cantora e guitarrista venceu Adele, Taylor Swift e Beyoncé que concorriam na mesma categoria. À propósito, Bonnie recebeu o prêmio de Jill Biden, a primeira-dama dos Estados Unidos, 71 anos.

Fonte: Redação Nós
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