sportradar

PUBLICIDADE

sportradar - Gastando R$ 500, bloco da zona leste estreia amanhã em SP

Bloco das Torcidas estreia na programação oficial. Segundo diretor de bateria, este é o ano em que estão gastando mais

11 fev2024 - 05h00
Compartilhar
Exibir comentários
Bloco das Torcidas surgiu nas arquibancadas de campos de várzea da zona leste de São Paulo, na região de Cidade Tiradentes
Bloco das Torcidas surgiu nas arquibancadas de campos de várzea da zona leste de São Paulo, na região de Cidade Tiradentes
Foto: Divulgação

Quanto custa colocar o bloco na rua? O Bloco das Torcidas, de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, gastou R$ 500 e não deve gastar muito mais até o dia do desfile, na próxima segunda-feira. O valor se refere ao pagamento de um modesto paredão de som, substituto do tradicional trio elétrico, que custa, no mínimo, dez vezes mais.

Estreante na programação oficial do Carnaval paulistano, o Bloco das Torcidas desfila desde 2020. “Este é o ano que a gente está gastando mais”, conta, com humor, Rogério Borges Favacho, diretor de bateria, que atende a reportagem no intervalo de almoço do trabalho em que bate ponto. Em bloco de periferia, diretor tem cargo, não salário, e o ganha pão, busca em outro lugar.

Tirar o máximo do mínimo

O Bloco das Torcidas surgiu nas beiras dos gramados de futebol de várzea da zona leste. Faltando um dia para o desfile, seu modesto orçamento é 50 vezes menor do que o valor que os blocos de rua vão receber da Prefeitura de São Paulo, R$ 25 mil.

Segundo o diretor de bateria, “nós tá grande demais”. Ele tem dificuldade para estimar o público que o desfile pode agregar, mas arrisca “umas quinhentas pessoas”. Nos anos anteriores, o Bloco das Torcidas, ainda fora da programação oficial, juntou famílias de apaixonados por futebol de várzea, fazendo jus ao nome do bloco e reforçando os laços entre os fundadores.

Eles querem estrear oficialmente em grande estilo, com dois desfiles, na próxima segunda-feira, 12 de fevereiro, e no dia 18. O diretor de bateria lembra que dois blocos tradicionais da região de Cidade Tiradentes, que já se apresentaram, fizeram um desfile cada. “A gente é doido”.

Paredão de som alugado por R$ 500 será o trio elétrico no desfile do Bloco das Torcidas nos dias 12 e 18 de fevereiro na Cidade Tiradentes, São Paulo
Paredão de som alugado por R$ 500 será o trio elétrico no desfile do Bloco das Torcidas nos dias 12 e 18 de fevereiro na Cidade Tiradentes, São Paulo
Foto: Divulgação

Quanto ainda poderão gastar

O paredão de som alugado por R$ 500 custaria mais, R$ 800, mas houve negociações. O equipamento tem entrada para cabo de violão, cavaquinho, voz e microfone. É puxado por uma caminhonete.

Mas ainda há outros corres a fazer, como resolver o problema da água dos batuqueiros. Serão entre 40 e 50, desfilando por duas horas, dois dias. A linha de frente do Bloco das Torcidas se mobiliza para comprar, pelo menos, 200 litros de água.

Por baixo, gastarão R$ 300, elevando a conta do desfile a R$ 800. “A Prefeitura tinha que, no mínimo, oferecer água. Mas a gente vai dar um jeito”. Há três soluções possíveis: doação, vaquinha ou dinheiro da venda de abadás.

“A gente é pedra bruta aqui. O diamante vai estar no Anhembi, na mídia, no destaque, mas o diamante sai da pedra bruta. É aqui que a gente não deixa o samba morrer. Amanhã ou depois, a molecada procura a escola de samba. Quando chega na Globo, já está lapidado.”

Filhos e filhas dos batuqueiros são presença constante no Bloco das Torcidas. “Lapidamos os diamantes”, diz diretor de bateria
Filhos e filhas dos batuqueiros são presença constante no Bloco das Torcidas. “Lapidamos os diamantes”, diz diretor de bateria
Foto: Divulgação

As peles dos tambores

O Bloco das Torcidas não precisará comprar instrumentos musicais. Os fundadores vieram de escolas de samba. Mas terão um pequeno gasto com a manutenção de componentes fundamentais da bateria, como os dois surdos.

Eles estão com as peles de couro estouradas. As novas custarão cerca de R$ 200, elevando os gastos a R$ 1.000, somando paredão de som, água e couros - água e couro ainda não foram comprados.

Os pandeiros estão ok, e nem poderia ser diferente. O homenageado, Belchior, 70 anos de samba, fazia seu pandeiro presente nos campos de várzea onde surgiu o Bloco das Torcidas. Sua escolha é daquelas evidências que se impõem.

Conhecido, na lendária Nenê de Vila Matilde, como “o torrado”, ouvirá na avenida o samba que resume sua história de bamba, de embaixador, de mestre.

Integrantes do Bloco das Torcidas têm tradição no samba. Instrumentos não faltam, mas precisam de manutenção, como os tambores
Integrantes do Bloco das Torcidas têm tradição no samba. Instrumentos não faltam, mas precisam de manutenção, como os tambores
Foto: Divulgação

O corre dos abadás e do samba-enredo

O custo anterior poderia triplicar, chegando a R$ 3 mil, se os abadás do Bloco da Torcida tivessem sido pagos por eles. Dois chegados racharam o custo, pouco mais de R$ 1.000 cada um. E, em confecções diferentes, cada patrocinador mandou fazer 50 peças. O dinheiro da venda dos abadás pode comprar a água dos batuqueiros.

O samba-enredo composto pela dupla Ernesto Prata e Marcelo Tamborim, de Cidade Tiradentes, foi outro corre. “Fizemos o samba gratuitamente, para ajudar o bloco, dar um presente para a comunidade e também divulgar nosso nome”, explica Ernesto Prata.

Caso fosse pagar pela letra e música do samba-enredo, o Bloco das Torcidas gastaria por volta de R$ 1.500. Isso sem contar os custos de gravação, que sairia, em algum estúdio meia-boca, por R$ 1.000. Ela também foi feita graça, somente com voz e cavaquinho, suficiente para divulgar a música. 

Ernesto Prata e Marcelo Tamborim fizeram o samba-enredo de graça para o Bloco das Torcidas, de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo
Ernesto Prata e Marcelo Tamborim fizeram o samba-enredo de graça para o Bloco das Torcidas, de Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo
Foto: Divulgação

Se os custos do paredão de som, água, couros, abadás e samba-enredo fossem incorporados ao orçamento, o Bloco das Torcidas estaria gastando uns R$ 5.500. Mas quase tudo se resolveu na faixa. “Quem está envolvido é gente do samba, que está acostumada com esse tipo de coisa”, diz o compositor Ernesto Prata.

Na avenida, o samba-enredo será cantado pelos compositores, com a ajuda de mais dois voluntários. Se fossem cobrar, seriam R$ 500 reais cada um. O custo total do carnaval do Bloco das Torcidas chegaria a R$ 7.500.

Sempre tem um corre a mais pra fazer

Um dia antes do segundo desfile do Bloco das Torcidas, os batuqueiros animarão um jogo de futebol de várzea. Ganharão R$ 500. Se a grana vier a tempo, farão um churrasco para a comunidade. Mas na reta final, alguém vai acabar colocando a mão no bolso. 

Por exemplo, como levar os instrumentos da bateria para o desfile? Será preciso um caminhão, caminhãozinho, caminhonete, carroça, qualquer meio de transporte que possa dar conta dos bumbos, caixas, entre outros apetrechos.

“Não dá pra levar na cabeça”, diz o diretor de bateria. Mas, se na hora, não tiver outro jeito, ninguém duvida da disposição do Bloco das Torcidas em caminhar com os instrumentos até a avenida dos Metalúrgicos, onde o desfile deve começar às 14 horas.

Fonte: Marcos ZibordiColunista do Visão do Corre
Compartilhar
Publicidade
Publicidade
sportradar Mapa do site

1234